Acabo de chegar de viagem, depois do Congresso Biohabitar que aconteceu em Belo Horizonte. O dia ainda nem amanheceu e vou aproveitar a tranqüilidade da madrugada pra repassar aqui um pouquinho de coisas boas desse evento.
Antes de ir a esse Congresso ainda me perguntei: “O que mesmo vou fazer por lá? É muito voltado pra arquitetos, o que não é minha área.” ( …hoje entendo que talvez eu tenha ido em busca do amor, que sempre queremos encontrar e sentir na vida e pela vida, e algumas situações e pessoas nos permitem sentir isso com mais intensidade).
Mas como teriam por lá oficinas de geobiologia, feng shui e paisagismo, então pensei: “tudo bem”. Haveria também uma palestra com o educador Tião Rocha e isso muito me atraía, porque há mais ou menos 1 ano eu o vi em uma entrevista na Rede Minas . Fiquei encantada naquela época com os ditos dele, com a visão de mundo, e com os exemplos reais passados, demonstrando a capacidade do homem na transformação do meio em que vive. A exemplo, ele tem a criação do CPCD (Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento), um projeto desenvolvido no vale do Jequetinhonha e que tem ecoado pelo mundo. Agora, neste congresso, ao ouví-lo novamente, me deu vontade de ir para Araçuaí, conhecer este trabalho de perto, ou ainda , dá vontade até de buscar um local mais interiorano desse Brasil de meu Deus (onde as coisas são mais simples, onde as pessoas são mais simples de coração e por isso mais abertas ao acolhimento) e ser também um agente de transformações (se bem que podemos e devemos ser isso aonde quer que estejamos). Não vou entrar em detalhes neste assunto, mas pra quem conhece o projeto e/ou esteve no congresso, com certeza entenderá deste desejo que falo.
Bem, na época em que vi essa entrevista, logo procurei o site dele na internet e enviei pro Allan e Solano, pois achava o trabalho do Tião muito conectado à visão de mundo dos dois. Passou-se o tempo e desta vez, em um único Congresso lá estavam eles, de alguma forma conectados para transmissão de um mesmo tema: qualidade de vida, harmonização e transformação do Mundo.
Assim como eles, vários outros palestrantes e ministrantes de oficinas também estiveram focados neste trabalho, como Tony Backes, Flávio Duarte, Mônica Smits, Ka Ribas, dentre vários outros que repassaram ensinamentos e idéias como as construções de teto vivo, geodésicas, pau-a-pique, aproveitamento do bambu, etc…
E falando em bambu devo ressaltar a presença de Lúcio Ventania, diretor da Bamcrus, que deu um show sobre a utilização do bambu. Quero ressaltar também a oficina especial do arquiteto e fundador do Tibá, Johan Van Lengen, que passou exercícios para se trabalhar o lado esquerdo do cérebro, entrar em alfa, desfocar e dar lugar à intuição para criar uma nova realidade. Não vou especificar cada assunto, mesmo porque não tive como participar de todas as oficinas, mas vou inserir algumas imagens e algumas frases soltas que registrei. Dentre essas imagens, muitas outras eu gostaria de ter captado, mas por falta da máquina fotográfica em mãos em alguns momentos, não tenho imagens de todos os palestrantes, e nem dos shows que ocorreram, como o lançamento do CD Geosounds, que vale mencionar aqui como algo muito importante, pois se refere a uma descoberta do Allan, de determinadas freqüências de notas musicais que harmonizam as redes magnéticas da terra (maiores informações, acessem o blog de geobiologia, que está mencionado na minha lista de blogs).
No mais, sem falar muito, mas já falando demais, aqui estão algumas frases captadas nas palestras do Tião Rocha e do Johan Van Iengen. Vale ler, meditar, agir …
Johan Van Lengen:
“Devemos ter mais liberdade de sermos diferentes. Devemos ter pessoas com novas formas de pensar.”
“Antes dançava-se para os deuses e agora dança-se para os homens. O papel do dançarino é despertar o divino dentro das pessoas.”
“Temos a missão de tornar nosso ambiente mais agradável.”
“Perfeito demais não funciona” “Deve-se fazer mais pela intuição, pelo lado esquerdo do cérebro”. “Deixa a intuição e deixa-se cair nas intuições.”
“Muitas vezes não estamos vendo a realidade. Estamos vendo uma rede de palavras.” “Uma coisa para mudar onda e ver a realidade diferente é desfocalizar.” “Todo tempo temos invasão de palavras, até pensamento. No momento que desfocaliza aí desaparece e aparece outra realidade.”
TLAYOLTEHUANI – palavra asteca que significa: “uma pessoa que usa o coração para tornar as coisas divinas. (tlay– coisa / yol – coração / tehuani – tornar divino)
Tião Rocha:
“Ciências e Segredos são exercícios de aprendizado.”
“Quem aprende fazer carrinho faz qualquer coisa. Quem faz sabão, faz tijolo, etc.”
“Feira é negócio (o econômico é detalhe). Se der negócio deu. O importante é conversar da vida.”
“A vida é simples, é um sutiã, porque tem que se meter os peitos (o meu tamanho é 64) –rs).”
“É prepotência sair da capital pra melhorar a vida do interior (isso é facista). Quem disse que a qualidade de vida da capital é melhor e é exemplo para o interior? São realidades diferentes. ”
“Devemos focar nos potenciais dos locais e das pessoas e não em suas carências.”
“Tudo pode. Preservar a vida e a ética – então tudo pode”
“Vale tudo pra educar uma criança. Uma cidade educativa tem biblioteca que funciona 24 horas.”
“Nenhum ser vivo merece ser excluído de nada.”
“Piscar é um ato natural. Mas existem piscadelas diferentes. Temos que saber captar as diferentes piscadelas da vida.”
“Ser pobre não é pecado, não é defeito.”
“Felicidade é sentir bem com o que temos e somos.”
“Dinamismo é capacidade de auto-transformação.”
“Devemos juntar pontos luminosos para canalizar um facho de luz. Buscamos integrar os pontos luminosos das instituições participantes, formando um feixe de luz, energia e calor pra transformação de muitas outras Araçuaís espalhadas pelo país.”
E pra encerrar, vou citar frases não ditas no congresso. Mas lidas. Explicando melhor, já na última palestra, não porque essa estivesse ruim, muito pelo contrário, mas porque sou mulher e meu dosha é pitta, então não consigo ficar muito tempo parada e focada em uma coisa só (ou aliás, consigo focar várias coisas ao mesmo tempo); daí, tirei da minha bolsa o livro: Feminino e Masculino – Uma Nova Consciência Para o Encontro das Diferenças, do Leonardo Boff e Rose Marie Muraro, e lendo partes soltas, encontrei algo que, se não fosse minha timidez diante de algumas situações e pessoas ( e isso só até que eu perceba abertura e sinta-me confortável pra “achegar”), eu teria mencionado-as. Faço isso aqui:
“O ser humano se comunica com o real pelos sentidos e pela capacidade de simbolizar –falar e pensar – e é por meio desta última que ele transforma a natureza e faz historia.”




















