Ainda no dia 20 de Junho saímos de Cuzco com parte de nossas malas e “trouxas” para outra cidade vizinha: Ollantaytambo. Gracinha!!! Cidade gostosa no meio das montanhas, ótimos restaurantes, uma feira de artesanato super rica, e um lugar super energético. Talvez por tudo isso tenha sido a cidade escolhida por Mestre Francisco para viver. E também por tudo isso, é que em tom de brincadeira, o grupo se propôs a unir e cada um dar uma graninha para comprar uma casinha por lá… (-: Desejos, sonhos… Um bom começo! (-:
Bem… ainda no dia 20 , à tardizinha, quase escurendo, nós participamos de outro ritual com o mestre Francisco. (talvez eu relate isso aqui depois – não vou seguir ordem cronológica, vou seguir ordem de inspiração…)
À noite uma aula no salão do Hostal Sauce. Gente esparramada por todo o salão, alguns deitados no chão, perto da lareira, outros nos sofás… Tudo para assistir uma aula ministrada por mestre Francisco. Ótima, um show de cultura andina. No entanto, o cansaço de quem tinha acordado às 3:30 da madrugada e de um dia cheio de programações, fez com que apenas um pequeno grupo de 8 pessoas ( até harmonicamente dividido em 4 homens e 4 mulheres) permanecessem assistindo a aula. Consegui bravamente ir até ofinal (-:(-: Aliás, nem tão bravamente assim, porque o conteúdo era interessante e apesar de ser um mestre xamã dos Andes, o mestre Francisco está inserido na tecnologia . (-:(-: Para ministrar a aula, ele conta com um rico Dvd (criado por ele), projetado no notebook. Coisas da modernidade!!! (-:(-: Assim também como o uso do celular; o que nos fazia rir muito quando ele atendia telefonemas (até de outro país). Mas como ele mesmo diz: “É um mal necessário!” rsrs
Bom… então Ollantaytambo nos recebeu muito bem para muitas experiências. (acima estão imagens do local)
Uma das experiências começou novamente na madrugada, só que agora no dia 21 de Junho. 5:30 da madrugada e já estávamos todos tomando café para fazermos uma subidinha básica de “alguns” degraus de pedra na montanha. (há uma foto acima de onde subimos). Essa foi a escalada que mais senti. Não sei se pela altitude, ou se foi pela pressa, ou se foi por ser muito cedo. Só sei que mesmo mascando a folha de coca, as paradas na subida foram necessárias para mim, algo que nem o toque ritmado do tambor de Analú conseguiu minimizar.
Lá em cima, uma união de várias tribos. Gente de vários locais do mundo. Todos esperando pelos primeiros raios do sol entre as montanhas.
De um lado a lua cheia ainda estava no céu…
Nesse ponto de concentração, entre ruínas de pedras, todos iam chegando e novamente recebendo três folhas de coca para que fossem ofertadas com intenções. No chão, em cima de uma grande pedra, algo como um altar já estava montado. Um delicioso aroma de palos santos que se queimavam formava uma atmosfera envolvente.
Antes dos primeiros raios de sol surgirem, o Ka e o filho de Mestre Francisco começaram a tocar respectivamente charango e flauta. Que maravilha!!! Um som maravilhoso que ia enebriando todos que ali estavam de forma respeitosa e meditativa aguardando as bençãos do sol.
Os primeiros raios do sol surgiram e cada uma a sua maneira e introspecção foi recebendo sua luz. Uma cena mágica envolta nas fumaças de palo santo e das folhas de coca que foram depositadas pelas pessoas em uma tigela de barro e neste momento também se queimavam, com os desejos ganhando o ar e se elevando aos céus.
A música continuava … um pouquinho de vinho era servido, e antes de bebê-lo expergíamos com os dedos ao céu e também à terra…
E desta forma fomos abençoados por mais uma comemoração de Solstício de Inverno nos Andes.
Retratei vários destes belos momentos como poderão ver. No entanto, me surpreendi quando já dentro do trem, partindo para Águas Calientes, resolvi ver as fotos tiradas e percebi lindas luzes que surgiram nas fotos, algo como formação de um ser de luz.
(detalhes: luzes surgiram em fotografias de várias pessoas, em vários locais de poder – mas essas para mim foram especiais… Há quem possa dizer que seja reflexo da luz do sol… Deixo as crenças à vontade do que tocar o coração de quem vê-las… )
Mirian – Achuncaray
































