Não comer carne na Quaresma e sempre

      Nesta época de quaresma é comum as pessoas fazerem o “sacrifício” de não comer carne. No entanto eu já ouvi em certo sermão de um padre, que sacrifício ideal é pegar o dinheiro que seria gasto com a carne ou ainda com o bacalhau, e doar pra quem passa fome o ano todo.      

     De qualquer forma, abster-se de comer carne, mesmo que seja só nessa época, é louvável. Mas essa atitude não deveria ser chamada de sacrifício, mas sim de benfeitoria com a vida. Com a vida de um terráqueo, porque terráqueo não é só o ser humano, mas também todos os animais que vivem no planeta Terra. Benfeitoria com a vida do próprio planeta, uma vez que a formação de pastagens é um dos motivos para o desmatamento, e consequentemente uma das causas do aquecimento global. E ainda uma benfeitoria com a vida do próprio corpo, uma vez que quando se ingere a carne, está ingerindo também os miasmas gerados pelo medo e angústia que o animal sente ao morrer, o que não faz bem ao nosso organismo.      

         É sabido que o organismo humano necessita de proteínas, mas esta pode ser encontrada em outras fontes de alimentação, tais como: leite, ovo (clara), grãos –  principalmente a soja ( no entanto, deve-se buscar por produtos de proteína isolada de soja, senão o excesso da mesma pode ser prejudicial), peixes… 

      E em relação ao consumo de peixe, já que é do reino animal, Johnny De’Carli em seu livro Reiki-Sistema Tradicional Japonês, faz a seguinte ressalva: “os animais mais primitivos não têm uma consciência individualizada. Seu agir está subordinado ao instinto de um espírito-grupo. (…) por isso na carne dos peixes, dos camarões, das lagostas, dos mariscos etc, não encontramos miasmas porque não há corpo emocional, bem como espiritualmente não há interferências na evolução da espécie. Pescar um peixe é como colher uma manga.”  

      Mas mudar hábitos alimentares não é algo fácil. Porém, ao mudar a alimentação, você muda seu relacionamento com o mundo. O filósofo Lin Yutang,em seu livro a Importância de Viver,  faz uma exemplificação um tanto quanto cômica, mas de profundo sentido: “Há uma relação muito mais estreita do que pensamos entre alimentação e temperamento. Todos os animais herbívoros, são pacíficos de caráter: a ovelha, o cavalo, a vaca, o elefante, a andorinha, etc.; todos os animais carnívoros são brigadores: o leão, o tigre, o lobo, o falcão, etc. Se fôssemos uma raça herbívora, o nosso caráter seria por certo mais elefantino.” Ele ainda conclui: “Vejo ao mesmo tempo animais herbívoros e carnívoros na atual geração dos homens: os que têm temperamento amável e os que não têm”.  

      Ao ler isso, percebemos que essa é mais uma benfeitoria que o homem  faz ao deixar de comer carne: torna-se mais amável, mesmo que inconscientemente. Por tudo isso é que agora e sempre essa pode ser uma ótima opção. Mas isso é uma questão de decisão íntima, pessoal e deve estar alinhada com uma postura de vida.  

Mirian Christhiane de Menezes

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